03 julho 2017

Porque a minha deficiência visual é grave

We heart it


Calminha aí, leitor. Não é um daqueles posts para dizer que estou doente ou algo do tipo. Na verdade, apesar de o título referir-se a algo grave, o que irei escrever não é de todo preocupante. 

É que todas as vezes em que digo que possuo deficiência visual, outra pessoa que utiliza óculos olha para mim e diz que também possui, mas é mentira, ela não é deficiente como eu. Quer dizer, nem sempre. Descobri que possuo ceratocone e que a tendência é piorar se não fizer cirurgia, porque poderei me tornar totalmente cega um dia. Claro que estou me preparando para receber uma córnea e não ficarei sem a minha visão, mas dá para acreditar nisso? 

O meu problema é grave, porque desde os doze anos já não enxergava nada e só foi piorando com o passar do tempo. Estou com 6 graus em cada olho e mesmo usando óculos, me acostumei a não enxergar tudo como é de verdade, porque não sou capaz de visualizar os detalhes nos rostos das pessoas, minha visão para objetos distantes é super falha, ainda decoro as partituras porque preciso ficar encurvada para enxergá-las, por mais que o meu desejo seja o de ficar bem longe do professor, sou obrigada a ocupar eternamente a primeira carteira na sala de aula e corre risco de mesmo assim não entender o que está escrito na lousa. De fato, já me adaptei à essa vida como deficiente visual e só falta a bengala para completar minha velhice na juventude, porque possuo todas as características de uma pessoa idosa: Cabelos brancos, deficiência visual e cansaço por conta disso tudo.

Para ser sincera, penso que se eu não fosse fazer a cirurgia de transplante de córnea e deixasse a vida me tornar cega, nem iria perceber, de tão natural e gradativo que o ceratocone é. De repente, não veria mais a diferença entre escuridão e não enxergar... Mas por favor, não desejo isso. Engraçado que já até toco piano, imagine se eu ficasse cega? Seria interessante, porque a maior parte das pessoas que não possuem visão, geralmente toca piano, porque ele é um instrumento mágico e didático, para não dizer, acessível às deficiências em geral.

Meu médico disse que de certa forma, tenho sorte, porque posso ingressar em universidades e conquistar vagas em concursos públicos alegando possuir deficiência, mas não chamo isso de sorte, porque me sentiria péssima fazendo algo assim. Sou um pouco orgulhosa, confesso, mas se precisar, até utilizo a cota sim.

Enfim, o mais interessante disso é que alguém precisará perder a vida para que a sua córnea seja doada para mim, e espero que a morte dessa pessoa não seja dolorosa, porque já estou me sentindo culpada e grata antes de recebê-la. Será que vou sentir dor? Será que um dia voltarei a enxergar as coisas como elas realmente são? 

Espero que sim, porque não suporto mais reler os meus posts mais de três vezes e não encontrar erros para depois que publicá-los, percebê-los. 

Logo, não me responsabilizo mais pelos meus erros de digitação, porquanto não são capaz de reconhecê-los mais. Todavia, prometo tentar escrever de forma (quase) perfeita.

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